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Os europeus costumam mencionar a realização da Ópera  de Paris como um marco de restauração da linguagem dos mosaicos. O prédio é obra  do arquiteto Charles Garnier, que percorreu a Itália em busca de mosaicistas  para fazer uma vasta decoração em curto prazo. Já estava desistindo quando foi  procurado por um artista do Friuli, denominado Gian Domenico Facchina, que  patenteara um método de realização musiva pelo inverso, muito difundido hoje em  dia, capaz de executar obras de decoração no ateliê e levá-las prontas ao local  de aplicação.

Com o novo procedimento, Facchina executou em três  meses o que seus colegas pediam três anos. Ficou rico com a decoração de todo o  interior da Ópera de Paris e seu ateliê expandiu-se, passando a fazer mosaicos  para outros países europeus, para os Estados Unidos, para a Argentina e... para  o Brasil.

Morreu em 1904, mas o ateliê tocado pelos filhos  produziu para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1908, uma série de  medalhões riquíssimos nas ante-salas que dão para o Salão Assírio, antigo  restaurante, hoje fechado à visitação pública.

Além da arte plumária de nossos índios, que pode ser  considerada uma forma elementar de produzir mosaicos, é importante reparar que  partiu da Imperatriz Teresa Cristina, em 1852, a iniciativa de quebrar cacos de  porcelana da Casa Imperial para revestir bancos, fontes e paredes do Jardim das  Princesas, na área externa do Palácio da Quinta da Boa Vista, no Rio, também  fechado à visitação.

São obras delicadas, exigindo restauração. Esses  mosaicos situam o Brasil numa posição privilegiada na história mundial da obra  musiva. A iniciativa de Dona Teresa Cristina, que era uma princesa napolitana,  antecede de pelo menos 50 anos a decisão dos arquitetos Antoní Gaudi e Josep  Maria Jujol de usarem quebras de azulejos no revestimento de bancos, fontes e  paredes do Parque Güell, em Barcelona, evidentemente numa escala muito maior,  com auxílio de um grupo numeroso de operários e artesãos.

A República no Brasil abriu os cofres públicos para a  aquisição de pisos em mosaicos nos ateliês de Roma, Veneza ou de Paris,  especialmente para ornar prédios públicos do Rio, não só no Teatro Municipal,  mas também na Escola Nacional de Belas Artes, no Palácio Tiradentes e em outros  mais. Fenômeno semelhante ocorreu em São Paulo, no Palácio Elias Chaves, no  Edifício da Politécnica (construído por Ramos de Azevedo) e no prédio que abriga  hoje o Centro Cultural do Banco do Brasil, entre outros. O mesmo iria ocorrer em  Belém do Pará, na pavimentação do Palácio Lauro Sodré, antiga sede do governo  paraense, e no Teatro da Paz. E outros mais pelo Brasil afora.

Mas o modelo de mosaico que se popularizou depressa  em nosso país e ganhou expressão nacional é o das calçadas de pedra portuguesa,  especialmente a de Copacabana, cujo desenho original foi efetuado pelos  calceteiros portugueses importados, junto com as pedras, pelo prefeito Pereira  Passos em 1905, quando pavimentou a Avenida Central, hoje Rio Branco. O  paisagista Roberto Burle Marx iria valer-se muitíssimo da linguagem das pedras  para desenhar mosaicos em muitas praças brasileiras. É também dele o desenho  novo junto aos prédios de Copacabana quando, no início dos 70, ampliou-se as  faixas de pedestres e de rolamento, na orla.

Mas foi na década de 50, considerada a década de ouro  do mosaico brasileiro, que a linguagem das tesselas mais se desenvolveu na  ocupação de paredes e fachadas, ganhando dimensão na medida em que servia a  nomes ilustres como Portinari, Di Cavalcanti, Clóvis Graciano, Athos Bulcão,  Takaoka, Inimá de Paula e muitos outros. No período, não havia prédio novo em  Copacabana que não realizasse um mosaico na portaria ou na fachada do prédio.

 

continua...

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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